07 janeiro 2013

[Resenha] Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley

Título original: Brave New World
Autor: Aldous Huxley
Minha edição: Globo

"Ano 634 df (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (pré-condicionados) têm comportamentos (pré-estabelecidos) e ocupam lugares (pré-determinados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime.

Os conceitos de “pai” e “mãe” são meramente históricos. Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo. Não existe paixão nem religião. Mas Bernard Marx tem uma infelicidade doentia: acalentando um desejo não natural por solidão, não vendo mais graça nos prazeres infinitos da promiscuidade compulsória, Bernard quer se libertar. Uma visita a um dos poucos remanescentes da Reserva Selvagem, onde a vida antiga, imperfeita, subsiste, pode ser um caminho para curá-lo. Extraordinariamente profético, Admirável mundo novo é uma dos livros mais influentes do século 20."

Sim, eu li o livro a partir da música da Pitty "Admirável Chip Novo". Afinal, foi após a leitura do clássico que a cantora compôs a música e eu, como fã da baiana, ao saber da história, fiquei maluco para ler o tão aclamado livro. E para falar a verdade, o livro tornou-se um dos meus favoritos!

A leitura realmente não é fácil. Huxley usa de termos cientificos rebuscados e uma linguagem bastante formal, além de fazer questão de citar fórmulas químicas e equações matemáticas logo no começo do livro. Há paragrafos que necessitam ser lidos mais de duas vezes para serem entendidos, mas, conforme o livro avança, as palavras complicadas vão ficando de lado e a aventura realmente começa.

Admirável Mundo Novo é um livro futurista, onde o conceito de família é taxado como ultrapassado. Os seres humanos são gerados artificialmente através de máquinas e incubadoras. Assim, "pai" e "mãe" se torna algo obsoleto na sociedade, chegando a ser tratado como algo obsceno e histórico.

Todos as humanos são condicionados (educados) a situações e ambientes que o favoreçam em uma atividade já preestabelecida para cada pessoa. No decorrer de toda a infância, desde o nascimento até a fase adulta, os humanos passam por um condicionamente durante o sono, em que as características de cada casta e a cultura da sociedade são inseridas inconscientemente na pessoa. Um dos modos usados para isso é a repetição de frases diversas vezes até ser "aprendida" (mais ou menos mil e quinhentas repetições por noite). 

Os prazeres da vida, o ato sexual, a promiscuidade e o consumismo são valorizados pela sociedade, que prega a satisfação pessoal, a alegria e o prazer acima de tudo. Caso haja um momento de tristeza ou algum sentimento que impessa a pessoa de se sentir bem e feliz, há uma droga que desperta a alegria nas pessoas, a chamada "soma" (uma espécie se ecstase para despertar sentimentos bons).

A história contada é a de Bernard Marx, um jovem questionador do sistema descrito por Huxley. Em uma viagem de férias até uma "Reserva Selvagem", local onde se mantém preservado os costumes do passado com a finalidade de estudos, Bernard conhece Linda e seu filho John. O jovem, em busca de respeito, leva os selvagens até a sociedade, o que causa transtorno, medo e revolta nos civilizados. Mãe e filho são brutalmente regeitados, desprezados e usados em experiencias, entretanto, por serem "os selvagens", tornam-se celebridades.

Com um final tentador e totalmente inesperado, Aldous Huxley cria um clássico da literatura mundial. Um livro que nos faz refletir sobre a manipulação e as regras sociais impostas por uma sociedade que prega o consumismo acima de tudo.

Aldous Leonard Huxley nasceu na cidade de Godalming do distrito de Waverley, Inglaterra. Uma cegueira impediu-o de cursar medicina, então, já curado, formou-se em letras pela Universidade de Oxford, já que foi impedido de cursar. Viveu a maior parte da década de 20 na Itália fascista de Mussolini, que inspirou parte dos sistemas autoritários retratados em suas obras. Mudou-se para Los Angeles, onde tornou-se roteirista e lançou diversos outros livros. Morreu aos 69 anos no emblemático 22 de novembro de 1963, o mesmo dia do assassinato de ex-presidente John F. Kennedy e morte do escritor C. S. Lewis.

Um comentário:

  1. Tenho uma certa paixão por classicos, livros que mudaram o mundo ou então que tiveram um grande caminho até serem respeitados como grandes obras, por isso tenho muita curiosidade com Admiravel Mundo Novo, uma das mais antigas distopias que existem. Adorei a sua resenha, muito boa mesmo, me senti muito curiosa com o livro pelo o que você escreveu. Parabéns.

    Beijos, Júlia
    Declarações de Inverno

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