25 fevereiro 2013

[Resenha] Praticamente Inofensiva - Douglas Adams

Título original: Mostly Harmless
Autor: Douglas Adams
Minha edição: Arqueiro

"Praticamente inofensiva é tão polêmico quanto seu criador. Muitos o consideram o último volume da série O mochileiro das galáxias e outros afirmam tratar-se de um título independente, que apenas utiliza os mesmos personagens. Parte dessa controvérsia se deve aos 13 anos que separam este livro da primeira aventura de Arthur Dent, já que Adams iniciou a coleção no final dos anos 1970 e somente em 1992 retomou a história.

As inúmeras mudanças políticas, culturais e, principalmente, tecnológicas que aconteceram nesse período influenciaram os rumos da narrativa e tornaram Praticamente inofensiva uma obra singular. Mas, em vez de perder o tom, Adams parece ainda mais irônico e profundo ao divagar sobre a vida, o Universo e tudo mais.

Situações hilárias, personagens imprevisíveis, descrições poéticas e paisagens surrealistas se mesclam com perfeição, resultando numa trama cheia de suspense, comédia e filosofia. Depois de muitos anos, Arthur Dent, Tricia McMillan e Ford Prefect se reencontram. Mas o que deveria ser uma festejada reunião de velhos amigos se transforma numa terrível confusão que põe em risco a vida de todos.

Praticamente inofensiva é o toque final de Adams nessa divertida história. Não importa se faz parte da "trilogia" ou não: ele é o último presente do autor para os mais de 15 milhões de fãs que adotaram sua obra como ícone de uma geração."

Já digo logo de cara que não acreditei no final do livro, não fiquei satisfeito e achei este o pior livro da série. Claro, o pior de Adams é melhor do que muitos autores que já li. O fato é que, para mim, Adams foi obrigado a escrever este livro. Foram treze anos desde o lançamento de O Guia do Mochileiro das Galáxias, e isso é muito tempo para que as coisas realmente saíssem como planejado desde o início. E eu concordo quando dizem que este é um livro independente da série, porque você pode ler este livro e entendê-lo perfeitamente sem ter lido o restante. Todas as perguntas sobressalentes dos outros livros se juntam a mais perguntas originadas desse livro e nenhuma é respondida.

Todos os personagens estão separados. Bom, nem todos os personagens, já que muitos deles (e os que mais gosto, diga-se de passagem) simplesmente não aparecem na história ou são meramente citados em passagens simples e incoesas.

Arthur Dent está perdido no espaço a procura de um planeta que fosse parecido com a Terra para que pudesse viver ao menos um pouquinho feliz. No final de Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!, Arthur e Fenny viajam pelo universo. Já no começo do quinto livro, Fenny simplesmente desapareceu. O que aconteceu a ela? Boa pergunta. Eu realmente gostava da Fenny. Arthur encontra um planeta bem parecido com a Terra, chamado Lamuella, decide morar lá e passa a ser o Fazedor de Sanduíches. A carne usada nos sanduíches provem das Bestas Perfeitamente Normais, que surgem em uma determinada época do ano e simplesmente desaparecem algum tempo depois. Uma reviravolta acontece na vida de Arthur, e Adams nos agracia com um personagem realmente chato, mas que me conquistou por inteiro.

Em um universo paralelo em que a Terra nunca foi destruída, conhecemos um outro lado de Trillian, a Tricia McMillan. Nessa realidade, Tricia havia recusado viajar junto de Zaphod Beeblebrox pelo universo e acaba tendo uma vida bem chata como repórter. Após uma viagem a trabalho, Tricia recebe, novamente, a visita de uma nave. Dessa vez, os tripulantes são alienígenas que perderam a memória e a única coisa que se lembram é de que precisam observar e monitorar algo. Tricia está diante de seu maior furo de reportagem, mas acaba se decepcionando pelo modo como as coisas se desenrolam.

Ao mesmo tempo, Ford Prefect se infiltra no escritório do Guia do Mochileiro das Galáxias e descobre que o Guia foi totalmente alterado e comprado pela Corporação InfiniDim, que pretendem revolucionar as vendas do tão aclamado guia interplanetário.

Assim, cada um dos personagens toma um rumo diferente para, finalmente, se juntarem e seguirem para o que seria a última aventura de todas. Estou me segurando para não soltar um spoiler e acabar estragando algo que já não está tão bom assim.

Preciso ressaltar o quão direto Douglas Adams é. Ele não fica dando características de todos os lugares e personagens, dando liberdade ao leitor de criar seu próprio universo literário. Ao mesmo tempo, Adams nos enche de informações verídicas que só fazem aumentar o nosso conhecimento. Essa é uma característica única e que conquista muitos fãs em todo o mundo.

Não creio que o desfecho da série tenha sido bom. Para mim, não foi nem mesmo aceitável  Mesmo assim, apaixonei-me pela "trilogia" e recomendo a todos que gostam de divertidas aventuras. E nunca esqueça da sua toalha!
"Tudo o que acontece, acontece. Tudo o que acontece, ao acontecer, faz com que outra coisa aconteça. Tudo o que, ao acontecer, faz com que ela mesma aconteça de novo, acontece de novo. Isso, contudo, não ocorre necessariamente em ordem cronológica."
Douglas Noël Adams nasceu em Cambridge, Inglaterra, em 1952. Formou-se em literatura inglesa pela Universidade de Cambridge. Ao lado de Simon Brett, produziu um programa humorístico sobre ficção-científica para o rádio, era o início de "O Guia do Mochileiro das Galáxias". A série radiofônica foi transmitida pela primeira vez em 1978 e em 1979, muito modificada e amplificada, foi publicada. Treze anos separam o primeiro e o último volume da série que conquistou milhares de fãs em todo o mundo. Adams faleceu aos 49 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco.

Um comentário:

  1. Acredito que muitas pessoas ficaram intrigadas com o final do Mochileiro das Galáxias, "praticamente inofensiva".
    Ao que aparenta, a terra fora destruída pelos grebulons; plano arquitetado pelos vogons, que falharam em destruir a terra para que fosse construída uma via expressa. A falha decorreu do fato de a terra retornar após destruída, a razão, em suma, é devido ao fato da existência de universos paralelos (mistureba de todas as coisas).
    Os vogons, no intuito de êxito em sua tarefa, dominaram o Guia, criando uma versão específica para a destruição da terra junto com todos aqueles que pudessem de alguma forma foram voltar ao passado para o modificar (Arthur Dent, Ford Prefect etc.).
    Ao que aparenta eles - os personagens - morreram, todavia, verifica-se que no terceiro livro, Agrajag afirmara, de certa forma, que já havia ocorrido a destruição (ele fora morto por causa de Arthur Dent ter se abaixado, fazendo que ele sofresse o impacto do tiro). Ou seja, percebe-se que a história não acabou ali com a destruição das Terras.
    Além disso, merece ser destacado que Zaphod não estava lá, assim, possivelmente, ele poderia voltar no tempo para tentar modificar o futuro.
    Pois bem. Verifica-se que todas as tentativas dos personagens de modificarem o passado, com efeito, fazem com que ocorra da forma como estava previsto, isto é, o que eles fazem para modificar algo é exatamente o que configura a forma como ocorreu (se aglutinam perfeitamente para o desfecho).
    Outro ponto que deve ser notado é o que diz respeito a como os Vogons tiveram tamanha capacidade de criar um guia onipotente e onisciente (é comum esse tipo de coisa no série, exemplo, Martin, o robô, era extremamente inteligente, mas não tinha objetivos, desejos próprios, ou seja, os robôs chegaram a um nível altíssimo de evolução e mesmo assim, estavam sujeitos aos comandos dos outros seres, os orgânicos ou não robóticos).
    Digo isso, pois ficou evidente que, apesar de serem (vogons) obstinados com seu trabalho (uma vez dada a ordem, concretizariam ela de qualquer jeito), não eram tão inteligentes. Pode ser que a possibilidade de viajar no tempo permitiu-lhes criar/obter tal tecnologia.
    Por fim, acresce mencionar que o guia-pássaro fora criado especificamente para destruição (nele estava escrito, entre em pânico), apesar de onisciente e onipresente (sem filtros, ou seja, consegue perceber todos os universos paralelos na mistureba de todas as coisas) não percebera o desiderato de seu criador, aparentemente sendo destruído juntamente com os personagens principais.


    A pergunta interessante e final que quero trazer, será que se Trícia tivesse ajudado os Grebulons a mapearem a área eles teriam destruído a terra? Será que os vogons fizeram inúmeras tentativas de destruição e constatou-se que não conseguiria destruir a terra, assim sendo, manipulou os grebulons, arrancando suas lembranças e confundindo-os, a destruirem a terra?
    Concluo com o seguinte: para mim os personagens estão em um loop infinito, semelhante aos cavalheiros do zodíaco... Ou estavam, e terminou-se tudo, tendo em vista que Agrajad afirmara que era sua última chance de se vingar...

    ResponderExcluir

Sinta-se livre para comentar o que quiser, mas use com moderação.