27 março 2013

[Resenha] Veronika Decide Morrer - Paulo Coelho

Título original: Veronika Decide Morrer
Autor: Paulo Coelho
Minha edição: Sextante

"Aos 24 anos, a eslovena Veronika parece ter tudo: juventude e beleza, pretendentes, uma família amorosa e um emprego gratificante. Mas num dia frio de novembro, ela toma um punhado de remédios para dormir com a intenção de nunca mais acordar.

Só que ela acorda – e no Sanatório de Villete, o lugar de onde ninguém jamais havia fugido. Logo fica sabendo que só teria alguns dias de vida, e isso lhe desperta emoções até então desconhecidas.

Inspirado em experiências próprias, Paulo Coelho escreveu Veronika Decide Morrer para questionar o significado da loucura e celebrar os indivíduos que não se encaixam nos padrões do que a sociedade considera “normal”.

Ousado e esclarecedor, este romance de redenção faz um retrato tocante daqueles que estão na fronteira entre vida e morte, sanidade e loucura, felicidade e desespero, transmitindo a mensagem poética de que cada dia é um verdadeiro milagre."

Eu nunca havia pensado em ler um livro de Paulo Coelho. Na verdade, eu não me via lendo um livro desse autor. Até que meu amigo Jaírlos me presenteou com o tão aclamado O Alquimista. Me senti bem com o modo de escrever de Paulo Coelho, uma leitura leve e de fácil compreensão, mas eu havia imaginado uma outra história para o livro. Confesso que foi algo decepcionante, já que não sou fã do gênero auto-ajuda. E eis que, mais uma vez, Jaírlos me presenteia com um livro do mesmo autor. Um livro de capa bonita e nome bastante promissor chamado Veronika Decide Morrer.

Não sou de comparar livros, mas o que faltou em O Alquimista foi recompensado em Veronika Decide Morrer, em minha opinião. Me refiro a uma verdadeira trama, algo um pouco menos filosófico e mais desenvolvido. Claro que em Veronika Decide Morrer há diversos pontos que nos fazem refletir sobre questões da vida, pensar sobre nossos atos e em como o que fazemos pode refletir em nós mesmo. Livros com essas características tornaram-se a assinatura pessoal de Paulo Coelho. Mas eu percebi que além desse cunho reflexivo o livro também aborda uma história com começo, meio e um fim. Sou bastante metódico e gosto quando os livros se mostram organizados desse modo.

Veronika é uma jovem eslovena bastante comum. Possui um bom emprego, é bonita, atraente e nunca teve problemas para encontrar homens bonitos e interessantes. Tem uma vida bastante tranquila e feliz, mas isso a irrita profundamente.  Para ela, o mundo está todo errado e o fato de não conseguir descobrir como mudar isso a transforma em uma pessoa inútil. Ela também visualiza sua vida como algo muito parado, monótono, e que isso só tende a piorar conforme os anos avançam. Sem mais delongas, Veronika decide morrer.

Ela toma remédios para dormir com o intuito de lhe causar uma parada cardíaca, mas o método acaba não sendo eficaz e ela acorda em um hospício chamado Villete. Porém, a tentativa frustrada de suicídio deixou sequelas na bonita jovem. O Dr. Igor, responsável pelo hospício, informa Veronika de que seu coração deixará de funcionar em, no máximo, uma semana e que sua estada em Villete garantirá que a jovem morra em paz. Mal sabe ela que os seus dias em Villete mudarão não só o seu modo de ver a vida, como também o de diversos pacientes internados ali.

Alguns dos loucos acabam tornando-se amigos de Veronika. Zedka, uma mulher que foi internada para recuperar-se de uma terrível depressão, é a primeira a aproximar-se e a abrir a mente da jovem suicida, mostrando que não é tão ruim ser louco e que os preceitos de loucura vem de cada um. Outra pessoa que Veronika conhece é Mari, uma já senhora de idade que se internou para curar-se da síndrome do pânico, mas que, mesmo após curada, permaneceu em Villete pelo fato de a vida ali ser mais fácil. Conhecemos um pouco mais do Dr. Igor, que se mostra um dos mais loucos psiquiatra que já conheci (risos). Preciso destacar também Eduard, um rapaz esquizofrênico que causa diversos sentimentos em Veronika. Já dá para entender o que vai rolar entre os dois, não é mesmo? Vivendo experiências inimagináveis e se permitindo, Veronika vai mudando seu modo de ver a vida e crescendo como pessoa. 

Gostei muito do tema em si, já que a questão da loucura é algo ínfimo e pouco explorado. O fato de Paulo Coelho se basear em sua própria história dá um belo arremate a trama, que se tornou um dos livros brasileiros mais vendidos no mundo. Narrado em terceira pessoal, o livro nos permite conhecer os pensamentos de alguns personagens, entender a história deles e descobrir o modo como Veronika os influenciou enquanto esteve internada. Não é um livro indicado para pessoas que (como eu) buscam uma história de aventura ou se emocionar com uma bonita história, mas para quem busca entender melhor o sentido da vida e descobrir que a loucura pode não ser o pior dos caminhos. A mensagem passada está relacionada a fazer as coisas do modo que queremos e gostamos e não se preocupar com a opinião dos outros. Afinal, o que importa é o que cada um pensa e quer para si.

É muito difícil para mim fugir dos gêneros que costumo ler. Às vezes me aventuro por algum romance, outras vezes chega até mim um livro de auto-ajuda que me faz refletir um bocado... O que quero dizer é que essa questão de mudar um pouco faz bem e é bom procurarmos sair da nossa zona de conforto, tentar mudar algo que está ao nosso redor e até mesmo mudar algo em si mesmo. Depois de ler dois livros do autor, só tenho a dizer que tenho orgulho de ser do mesmo país de Paulo Coelho, que é um marco de nossa cultura.

Paulo Coelho nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1947. Sempre se interessou pela escrita, mas seus pais o desestimulavam. Devido a crises de depressão e raiva na adolescência, Paulo chegou a ser internado três vezes em uma clínica de repouso, onde foi tratado por psicólogos. Trabalhou como diretor e autor de teatro, como jornalista e como compositor, quando fez diversas parcerias musicais com Raul Seixas. O Alquimista, sua maior obra, tornou-se o livro brasileiro mais vendido da história. Paulo Coelho foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2002 e ocupa a cadeira 21. 

4 comentários:

  1. Amei seu blog, parabéns, estou adorando tudo!!!!

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  2. Confesso que nunca me senti atraída pelos livros do Paulo Coelho, com exceção a esse. Mesmo não curtindo tramas dramáticas demais ou depressivas demais, já ouvi muita gente falando bem do livro e aí não há curiosidade que aguente! Consegui ele pra baixar (http://portugues.free-ebooks.net/ebook/Veronika-Decide-Morrer para quem quiser também), mas não encontro mais livros dele neste site, alguma sugestão de onde baixar mais livros dele? Agora sim fiquei viciada! (:

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  3. Abandonei esse livro, mas não lembro o porquê. Estou considerando a releitura. =)

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  4. Amei esse livro, tanto que estou lendo todas as críticas que encontro na internet kkkkkkkkk.
    Tive alguns problemas na adolescência devido minha família ter mudado para o Brasil, antes morávamos no Japão e o choque cultural foi demais para mim na época, fiquei com depressão dos 17 aos 23 anos foi muito difícil. Quando li o livro eu já tinha superado a depressão, mas mesmo assim, ele me ajudou muito a crescer como pessoa e quebrar muitos tabus, cresci em uma cultura completamente diferente da brasileira e meus pais rígidos frequentavam assiduamente a igreja evangélica, isso me tornou uma pessoa com muitos padrões alguns até preconceituosos e de comportamento diferente (era difícil socializar). Posso dizer que esse livro selou minha mudança de pessoa restrita ao politicamente correto e aos pré-conceitos para um ser humano mais livre, despreocupado, menos julgador e tudo isso mudou minha perspectiva sobre as outras pessoas e também sobre mim mesma, hoje posso dizer que sou livre para viver plenamente sem me importar com o que os outros pensam e o mais importante feliz, pois "cada dia é um verdadeiro milagre".

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