22 abril 2013

[Resenha] O Inverno das Fadas - Carolina Munhóz

Título original: O Inverno das Fadas
Autor: Carolina Munhóz
Minha edição:  Fantasy - Casa da Palavra

"Existem pessoas normais em nosso planeta. Homens e mulheres simples que nascem e morrem sem deixar uma marca muito grande ou mesmo significativa na humanidade. Mas existem outros que possuem talentos inexplicáveis. Um brilho próprio capaz de tocar gerações. Como eles conseguem ter esses dons? De onde vem a inspiração para criar trabalho maravilhosos? São cantores com vozes de anjos, artistas com mãos de criadores e escritores imortais. Existe uma explicação para isso. 

Sophia é uma Leanan Sídhe, uma fada-amante, considerada musa para humanos talentosos. Ela é capaz de seduzir e inspirar um homem a escrever um best-seller ou criar uma canção para se tornar um hit mundial. A fada dá o poder para que a pessoa se torne uma estrela, um verdadeiro ícone, ao mesmo tempo em que se aproveita da energia do escolhido para alimentar-se. Causando loucura. E morte."

Sinceramente, comprei o livro mais pelo nome da autora do que pela história em si. Já conhecia a Carolina Munhóz dos tempos em que era leitor assíduo do Potterish e assim que vi seu nome no livro já tratei de comprá-lo. Confesso que a sinopse também me instigou bastante e a linda capa foi o arremate para me convencer a ler a tão falada obra. Entretanto, tive um pequena decepção ao começar a leitura. Resultado: praticamente um mês para ler um livro que eu conseguiria ler em uma semana.

Eu sempre costumo dizer que apesar de o livro não me agradar, é uma ótima leitura e elogio o quão bem foi escrito. Com O Inverno das Fadas não é diferente. Acontece que eu não sou fã de fadas, magia do amor e tudo o mais. Não que eu não goste de ler ficção repleta de magia ou odeie um bom romance, muito pelo contrário. Mas é que eu me senti um tanto quanto deslocado ao ler um livro que, em minha mais humilde e preconceituosa opinião, é destinado a jovens mulheres. Foi uma coisa tão melosa e com um teor de erotismo que eu me peguei pensando "por que estou lendo isso mesmo?". Não critico o tema e muito menos acho algo ruim ou pouco desenvolvido, só não me identifico com o que foi escrito. Simples assim.

Sophia é uma fada. Mais precisamente, ela é uma Leanan Sídhe. Essas fadas são um pouco diferentes das que conhecemos, aquelas que trazem sentimentos de amor e paz e que fazem bem a humanidade. As Leanan Sídhes são as fadas que trazem inspiração. São donas de muita beleza e sensualidade, um prato cheio para humanos com dons artísticos. A inspiração é tamanha que os humanos escolhidos pelas Leanans tornam-se grandes astros naquilo que fazem, por exemplo um escritor que vende muito livros. Mas essa ajudinha tem um alto preço: a morte. Acontece que as Musas Inspiradoras se alimentam da energia dos artistas. Quanto mais famoso e bem sucedido o escolhido de uma Leanan se torna, mais energia é destinada a fada. E assim vive Sophia, seduzindo mulheres e homens para torná-los grandes artistas e sugando suas energias, levando-os a morte.

Eis que ela se depara com William, um jovem escritor bastante talentoso. Sophia não tinha certeza se deveria tornar-se a musa inspiradora do jovem, já que ele tinha algo de diferente que lhe causava uma estranha sensação. Alguns acontecimentos fazem a fada decidir seduzi-lo, mas logo de cara ela percebe que, realmente, William era diferente dos outros. O jovem não era atingido pelos seus encantos de sedução e, no fim das contas, era ele quem a estava seduzindo. A Leanan precisava manter o controle do relacionamento ou ela mesma é quem seria prejudicada, mas, com o decorrer do tempo, ela percebe que está totalmente apaixonada pelo escritor. 

A situação em que o casal se encontrava era terrível. Sophia precisava distanciar-se de William, já que ao lado dele continuaria sugando suas energias até matá-lo, e ao mesmo tempo não conseguia esquecer aquele que passou a amar. Era necessário tomar alguma atitude antes que o tempo de William acabasse, mas qual seria a decisão certa a tomar?

O livro é narrado em terceira pessoa, o que torna a história muito melhor. Eu, particularmente, não gostaria de ler os pensamentos de Sophia, seria muito romance para mim. Em meio a trama contamos com flashbacks que nos mostram algumas histórias de artistas bem conhecidos por nós, como Amy Winehouse, Kurt Cobain, Heath Ledger e Michael Jackson, e que foram inspirados por Sophia. Acredito eu que Carolina queria homenageá-los, mas me pareceu um pretencionismo gigante. Sendo sincero novamente: não gostei nem um pouco de ler alguns nomes que conheço e que admiro muito citados em meio a trama, ainda sendo seduzidos por uma fada que os levam a morte. Foi o ápice para me fazer não gostar do livro.

Apesar de tudo, preciso reconhecer o talento nato de Carolina Munhóz. Ela consegue, em certos momentos, manter o leitor ligado na história. Eu demorei bastante tempo para ler o livro, mas não consegui esquecer nada da trama. É uma riqueza de detalhes tamanha que me fez ter inveja de quão boa é essa jovem autora. E o melhor de tudo: é brasileira. São nesses momentos que temos orgulho de nosso país.

Carolina Munhóz Honório nasceu em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. É jornalista e romancista, além de integrante do Potterish, um dos maiores sites de Harry Potter do mundo. Se aventurou por diversos países como Inglaterra, França, Itália, Suíça e EUA, onde teve a oportunidade de conhecer os atores de Harry Potter. Foi eleita como melhor escritora jovem de 2011 pelo Prêmio Jovem Brasileiro. Atualmente é escritora em tempo.

3 comentários:

  1. Bom.. Já tinha visto esse livro por 'cima', só a capa mesmo e a introdução e não me chamou atenção!
    Depois dessa resenha fiquei ainda menos interessada no livro.. Sei lá. A história não me deixou curiosa pra ler, como eu geralmente fico quando curto um livro!

    Beijo'
    meumundo-aqui.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Olá Gabi!

      Realmente, a história não tem muito atrativo... é um tanto quanto simples, na verdade. Mas uma coisa posso afirmar com certeza: o talento de Carolina é surpreendente e é por isso que não desisti da leitura.

      Beijos e obrigado pelo comentário!

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  2. Confesso que também achei um romance água com a açúcar. Mas teve pontos que gostei. Diferente de você gosto das fadas. (Incluisive de Sookie) Porém concordo com você sobre ser muito meloso ou até mesmo, na minha opinião, infantil. O que não combina muitas vezes nas cenas "picantes". Gostei por ser uma obra brasileira, e por ser de fantisia, AMO fantasia. A parte do romance foi a que mais me desagradou. Já as referências aos artistas me divertir tentando "adivinhar" quem seria este ou aquele.
    Ótima resenha! (Li no desafio também)

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