01 janeiro 2014

[Resenha] A Revolta de Atlas (volumes I, II e III) - Ayn Rand

Título original: Atlas Shrugged 
Autor: Ayn Rand
Minha edição: Sextante

"Esta é a história do homem que disse que iria parar o motor do mundo. E parou. Era um destruidor ou o maior entre os libertadores? Com uma mensagem abrangente e atual, A revolta de Atlas é um suspense de tirar o fôlego, não sobre o assassinato de um homem, mas sobre o assassinato – e o renascimento – do espírito de um homem. 

Esta aclamada obra-prima começa com o questionamento angustiante "Quem é John Galt?", que se repete inúmeras vezes ao longo do livro, numa metáfora da reflexão do homem sobre a própria existência num mundo à beira do colapso. Este livro tornou Ayn Rand uma das maiores escritoras contemporâneas, elevando-a ao seleto grupo dos pensadores mais influentes e controversos de nossa época. 

A ação começa quando industriais, empresários, artistas e inventores se recusam a continuar sendo explorados pelo governo e pela sociedade. Por meio de uma incrível parábola política, a autora retrata os Estados Unidos como um país sombrio e decadente, dominado pela corrupção e mergulhado numa burocracia sem limites. 

Numa sociedade em que a manipulação da lei, a incompetência, os interesses políticos escusos e a culpa são usados para restringir a liberdade individual, a criatividade e a ambição, os cidadãos mais produtivos se veem impossibilitados de pensar e trabalhar. 

À medida que o controle do governo sobre todos os setores da economia aumenta, os principais inovadores e trabalhadores de diversos níveis hierárquicos desaparecem em circunstâncias misteriosas, abandonando negócios lucrativos ou empregos que antes garantiam seu sustento. Sem essas mentes privilegiadas para criar coisas novas e produzir riqueza para toda a sociedade, qual será o futuro do mundo? Você encontrará a resposta quando descobrir a razão por trás dos fatos desconcertantes que assolam a vida dos personagens de A revolta de Atlas."

Para começar a resenha quero deixar claro que a versão brasileira do livro é dividida em três volumes, mas resolvi fazer apenas uma resenha pois assim economizarei tempo e conseguirei dar menos spoilers do que o necessário. Além disso, o titulo é vendido apenas com os três volumes (a editora proíbe a venda dos títulos separados) então meio que este é um livro só. 

Outro parenteses que gostaria de ressaltar é: como eu demorei para ler esse livro! Eu normalmente não leio uma série de uma vez só. Ou seja, lendo um livro seguido do outro até terminá-la (nem com Harry Potter fiz isso). Mas A Revolta de Atlas se mostrou tão instigante e complexo que eu não podia deixar de ler todos os três volumes seguidamente ou teria sérios problemas para entender a história e para conseguir ler outro livro sabendo que o Atlas estava lá, me esperando. O primeiro e segundo volumes foram super fáceis de terminar, já o terceiro... bom, demorei quase dois meses para lê-lo. 

Quem é John Galt?

Essa é a pergunta que inicia o livro e que é repetida inúmeras vezes durante a história. Eu queria morrer quando essas quatro palavrinhas, "Quem é John Galt?", apareciam em minha frente. A pergunta é usada em certos momentos, críticos ou não, conclusivos ou não, importantes ou não, mas tem uma conotação representativa em toda a trama. Ela não é usada em vão.

Não, a história não tem quase nada relacionado a mitologia grega. A autora faz alusão ao fato de Atlas ser obrigado a sustentar os céus com as próprias forças. No livro de Rand, os pensadores, os inovadores e os indivíduos criativos é quem sustentam um mundo decadente, enquanto parasitas fazem de tudo para impedir o progresso individual e da sociedade como um todo. Basicamente, os parasitas querem viver e crescer às custas de quem realmente sabe o que está fazendo e ao mesmo tempo impedem que as pessoas possam viver do modo delas.

Assim, algo de inusitado começa a ocorrer: uma greve de cérebros. Os principais lideres das industrias, do empresariado, das ciências e das artes começam a desaparecer sem deixar rastro algum.

Em meio a um mundo que beira a ruína, está Dagny Taggart. Vice presidente da Taggart Transcontinental, uma das maiores empresas ferroviárias dos Estados Unidos, Dagny se sente dividida entre a causa dos grevista e o fato de não querer perder todo o império que seu pai, Nathaniel Taggart, conquistou.  A situação se complica ainda mais quando Dagny conhece Hank Readen, fundador da Metal Readen. Além de um intrigante industrial, Hank possui diversas outras qualidades que vão conquistando Dagny de uma forma emocionante.

A Revolta de Atlas é, ao mesmo tempo, um livro que nos faz refletir de modo filosófico e uma intensa aventura. Me surpreendi totalmente com a trama, que se mostra desesperadamente contagiante e angustiante. Romance, filosofia, críticas e muito suspense se mesclam e dão vida a um verdadeiro clássico americano. Mais do que recomendado!

Alisa Zinov'yevna Rosenbaum, mais conhecida por Ayn Rand, nasceu em São Petersburgo, Russia, no ano de 1982. Escritora, dramaturga, roteirista e controversa filosofa norte-americana, ficou conhecida por desenvolver um sistema filosófico chamado de Objetivismo. Seus maiores sucessos literários são A Revolta de Atlas e A Nascente. Morreu aos 77 anos na cidade de Nova York.

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