12 janeiro 2015

[Resenha] Capitães da Areia - Jorge Amado

Título original: Capitães da Areia
Autor: Jorge Amado
Minha edição: Companhia das Letras

"Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes.

Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. 

Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade."

Se hoje eu sou apaixonado por livros e pelo mundo da literatura, atribuo a culpa (boa) a este livro. Em 2009, quando eu estava na oitava série, minha então professora de português, Priscilla, nos passou uma atividade que consistia em ler e analisar nosso exemplar, recém ganho, de Capitães da Areia. Não foi fácil realizar a atividade, já que eu nunca havia sequer lido um livro na vida. Demorei pouco mais de três semanas para ler a obra, uma experiência mágica. Depois disso, os livros passaram a fazer parte da minha vida.

Jorge Amado nos agracia com suas criaturas: crianças e jovens abandonados, moradores de um trapiche abandonado do cais de Salvador. Impossível não se sentir comovido com a história de cada um deles, uma mais emocionante e impressionante do que a outra.

Capitães da Areia é dividido em três partes. A primeira delas, "Sob a lua, num velho trapiche abandonado", nos remete ao contexto de vivência dos meninos abandonados, suas regras e histórias. Pedro Bala, Pirulito, Sem-Pernas, Gato, Professor, Volta Seca e outros meninos abandonados nos são apresentados, com suas respectivas crenças, seus ideais e seus deveres. Descobrimos o modo de viver dos Capitães, baseado em roubos e em liberdade, mas também em responsabilidade e solidariedade.

A segunda parte, "Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos", Dora e seu irmão, Zé Fuinha, se juntam aos Capitães, trazendo sentimentos ao grupo (de mãe, de irmã e de mulher). Dora é peça chave na trajetória de Pedro Bala, transformando para sempre a vida do líder dos Capitães da Areia.

A terceira e última parte, "Canção da Bahia, Canção da Liberdade", nos descreve o desfecho da vida da maioria dos meninos, narrando o destino e acontecimentos após alguns anos. Mostra como as escolhas de cada um refletiram na vida deles mesmos, das pessoas em volta e no estado baiano em si.

A primeira edição de Capitães da Areia, de 1937, foi apreendida e exemplares foram queimados em praça pública de Salvador. Relançado em 1940, o romance de Jorge Amado marcou época na literatura brasileira e é tido como um dos melhores livros nacionais. Também foi adaptado para o rádio, o teatro, o cinema e para a televisão.

Eu não sei como as pessoas reagem com a trama de Capitães da Areia, que é forte e chocante. Quando eu li a obra, aos 14 anos, a achei incrível e a indiquei para todos a minha volta. Hoje, aos 20, ainda mantenho a obra de Amado no topo das minhas indicações e de meus favoritos. Capitães da Areia é mais do que um romance. Muito mais.

Jorge Leal Amado de Faria, Jorge Amado, nasceu em Itabuna (Bahia) em 1912. Estudou na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e passou a trabalhar como jornalista. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 6 de abril de 1961, ocupando a cadeira 23, cujo patrono é José de Alencar. Faleceu em 2001, devido a uma parada cardiorrespiratória. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sinta-se livre para comentar o que quiser, mas use com moderação.